O Fim da democracia

 

O poder já mudou de mãos.
 

 
Os verdadeiros donos do mundo já não são os governos, mas sim os donos dos grupos das multinacionais financeiras e industriais, e das instituições internacionais opacas (FMI, Banco Mundial, OCDE, OMC, bancos centrais). No entanto, esses líderes não são eleitos, apesar do impacto das suas decisões sobre a vida das populações.
 
O poder destas organizações é exercido com um dimensão global, enquanto que o poder dos estados está limitado a uma dimensão nacional. 
 
 
Além disso, o peso das multinacionais no fluxo financeiro há muito que superou o dos estados.
 
 
Dada a sua dimensão transnacional, mais ricos que os estados, mas também as principais fontes de financiamento dos partidos políticos qualquer que seja a tendência e qualquer que sejam os países, estas organizações estão, de facto, acima das leis e do poder político, acima da democracia.
 
A General Motors, por exemplo, com um volume de negócios de 178 mil milhões de dólares, está acima do PIB da Dinamarca, que é de 161 mil milhões de dólares, bem acima do PIB de Portugal, de 97 mil milhões de dólares, e o que dizer de um pequeno pequeno país como a Nigéria com um PIB de 30 mil milhões de dólares.



 



A ilusão democrática.




A democracia já deixou de ser uma realidade.


Os responsáveis das organizações que exercem o poder real não são eleitos e o público não é informado das suas decisões.
 

A margem de acção dos estados está cada vez mais limitada por acordos económicos internacionais para os quais os cidadãos não foram consultados nem informados.
 
 
Todos esses tratados elaborados nos últimos cinco anos (GATT, OMC, AMI, NTM, NAFTA) têm um único propósito: a transferência do poder dos estados para organizações não-eleitas, através de um processo chamado "globalização".
 
 
 
 
 
 
Se uma suspensão da democracia tivesse sido declarada, isso teria provocado uma revolução. Por isso, foi decidido manter uma democracia de fachada e de deslocar o verdadeiro poder para novos centros.
 
 
Os cidadãos continuam de votar, mas o seu voto foi esvaziado de conteúdo. Votam para líderes que não têm qualquer poder real.
 
 
É por essa razão, não haver nada para decidir, que os programas políticos de "esquerda" ou de "direita" passaram a assemelhar-se em todos os países ocidentais.
 
 
Resumindo, não podemos escolher o prato, mas podemos escolher o molho. O prato chama-se "nova escravidão" com molho picante de direita ou molho agridoce de esquerda.
 
 
 
 
 
 
 

Desaparecimento da informação.






Desde o início dos anos 90, que a informação desapareceu dos media destinados ao grande público.
 
 
Como para as eleições, os jornais televisivos continuam de existir, mas foram esvaziados do seu conteúdo.
 
 
Um jornal noticioso contém no máximo 2 ou 3 minutos de verdadeira informação. O resto é constituído por assuntos de "revista", reportagens anedóticas, "faits divers" e reality-shows sobre a vida diária.
 
 
A análise feita por jornalistas especializados, assim como os programas de informação foram quase totalmente eliminados.
 
 
A informação está agora reduzida à imprensa escrita, lida por uma minoria de pessoas.
 
 
O desaparecimento da informação é um sinal claro de que a natureza do nosso sistema político já mudou.
 




2000 anos de história.


Durante os dois últimos milénios, a civilização passou por quatro eras sucessivas marcando quatro formas de poder político:


1 - A era das tribos 

Exercida sobretudo pela força, como nos grupos de animais em que o poder é assumido pelo "macho dominante".


2 - A era dos impérios e reinos


Poder hereditário. Nascimento da noção de estado.


3 - A era dos Estados-nação


Era aberta pela monarquia parlamentar na Grã-Bretanha em 1689, pela revolução francesa em 1789 e pela fundação dos Estados Unidos. Aqui, o poder não é hereditário, mas exercido por líderes supostamente representantes do povo e designados por eleições (estado-nação democrático) ou por um sistema de cooptação no seio de um partido único (estado-nação totalitário).


4 - A era dos conglomerados económicos


Iniciada em 1954, posta em pratica nos anos 70 e 80 e plenamente operacional a partir dos anos 90. Aqui o poder já não é do tipo representativo ou eletivo e deixou de ser geograficamente localizado. É exercido diectamente pelos que controlam o sistema financeiro e a produção de bens. Os instrumentos desse poder são o controle da tecnologia, da energia, do dinheiro e da informação. este poder é global, planetário.